18.05.2012

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O SONHO DO SINDICALISMO AINDA É POSSÍVEL

Em sua palestra sobre os desafios e perspectivas para o Movimento Sindical, Francisco Pereira Filho, o “Chiquinho” da UGT, mostrou aos servidores que persistir é fundamental.

Felipe Assis - FESEMPRE
26/08/2009 • 21:36

"Acreditar e lutar não é simples questão de honra, é um compromisso acima da nossa vontade posto que causa coletiva". Provido de discurso incitante, o secretário nacional de Organização e Política Sindical da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Francisco Pereira Filho, ou simplesmente "Chiquinho", recolheu longos e altos aplausos da platéia durante a palestra "Movimento Sindical Atual: Desafios e Perspectivas para o Futuro".

 

De certa forma complementando o que foi apresentado por Marco Aurélio Santana, que descreveu as mudanças no sindicalismo após a Constituição de 1988 e a redemocratização, Chiquinho iniciou a palestra pontuando outras faces do processo:

 

"Até 1988 o sindicalismo vinha de uma luta brutal. Por bater de frente com os governos era simpático a ampla maioria das pessoas. Mas a partir dos anos 90 haveria grandes mudanças, num processo de globalização em curso até hoje e que exige uma nova forma de organização das entidades".

 

A mensagem deixada por ele é de que, para atuarem com eficiência nos tempos modernos, os sindicatos precisam evitar ater-se apenas a resultados. "O nocivo processo de desmembramento por que passa o Movimento Sindical, observado até no âmbito das centrais, reflete de certa forma uma tentativa de se obter melhor desempenho, a partir da especificidade das categorias e funções. Mas temos que estar atentos, pois a resposta não está aí", destacou.

 

 

Clareza de objetivos

 

Chiquinho alerta que um fator imprescindível para que o movimento amplie conquistas e resguarde direitos é empreender ações com clareza de objetivos. "O caminho para o sindicalismo hoje, diria eu, segue a via do reconhecimento, não só do resultado. Várias categorias que estão hoje na informalidade não eram lembradas pelas centrais. A UGT assume a bandeira destes excluídos, sem proteção social, como os trabalhadores rurais. Sabemos da importância do nosso papel".

 

O sindicalista criticou as políticas que se resumem ao assistencialismo, colocando-as como algo que deve ser combatido por dirigentes classistas conscientes. "Não deveriam aplaudir quando um milhão de famílias entram no Bolsa Família, mas quando saem dele. Isso denota falta de perspectivas e não pode ser tolerado. É por isso que boa parte dos trabalhadores não confiam em suas lideranças".

 

 

Educação como principal bandeira

 

A educação foi apontada como fator-chave para mudar a realidade de pobreza em que se encontram grande parte dos brasileiros. Chiquinho quer mais atenção com esse ponto:

 

"Às vezes temos uma compreensão muito pequena, nossa formação deixa a desejar. Os sindicatos não costumam priorizar a educação, acham que é função do governo. Antes nossa principal bandeira era a inflação, porque afetava a todos. O que mais atinge as pessoas hoje é a qualificação. O cidadão só sobrevive pelo conhecimento que pode oferecer no mercado. Por isso é importante o trabalho realizado pela FESEMPRE, com seus cursos para sindicalistas".

 

 

Imagem arranhada

 

O caminho apontado para que o sindicalismo reassuma seu papel vanguardista na construção de uma nova nação é a qualificação, que permite uma participação consciente nas políticas públicas, aliada à mobilização e pressão junto aos parlamentares. Em declaração que pode soar desconfortável para alguns, o secretário nacional da UGT atribuiu uma parcela da culpa pela frágil situação dos trabalhadores e do sindicalismo a seus próprios militantes.

 

"Quem o movimento sindical tem como representante nos meios oficiais? Infelizmente poucos gatos pingados. É por conta desse abandono que a nossa imagem só perde para a do Congresso Nacional. Nosso principal desafio é a distribuição de renda, não só por aqui, mas no mundo todo. O planeta produz tudo que o Homem precisa. Somos capazes de conhecer o Universo, mas não de tirar uma criança da rua e por nas escolas".

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