Dos oito concorrentes ao Governo do Estado, apenas Antônio Anastasia (PSDB) e Pedro Paulo Pinheiro, o Pepê (PCO), ficaram sem representação no evento promovido pela FESEMPRE, demonstrando desrespeito aos servidores públicos. Os outros seis tiveram a oportunidade de ouvir os anseios da categoria e expor seus planos de gestão.
31/08/2010 • 17:08

Os candidatos que compareceram ao evento posam para foto junto à diretoria da FESEMPRE.
Um dos pontos altos do evento, que atraiu a atenção de todas as delegações de sindicalistas presentes ao Congresso, foi o debate com os candidatos ao Governo de Minas Gerais, promovido no dia 20 de agosto. Apenas Antônio Anastasia (PSDB) e Pepê (PCO), não compareceram ou enviaram representantes ao evento, demonstrando falta de compromisso com o servidor e, consequentemente, com a administração pública.
Os mais ovacionados pela platéia foram os que defendem uma linha de ação mais à esquerda, valorizando a qualidade dos serviços prestados à população e o investimento na aparelhagem do Estado. Confira abaixo trechos dos discursos proferidos pelos candidatos e seus representantes no 6º Congresso Interestadual FESEMPRE:
* Os candidatos estão dispostos na ordem em que fizeram suas intervenções, e os trechos reproduzidos em tamanho proporcional ao tempo de sua fala, que foi concedido igualmente pela Federação.
Hélio Costa – PMDB (enviou assessora para representá-lo)
“Nossas metas são educação de qualidade, democrática e participativa; novos hospitais regionais; valorização do servidor com melhores carreiras (planos de cargos, carreiras e vencimentos) e um representante para cada setor laboral dentro do Governo”.
Fábio Bezerra/Fabinho (PCB)
“Eu acabaria com o choque de gestão, que trucida a administração pública, e com as obras faraônicas, como a Cidade Administrativa, que atende meramente interesses político-partidários. A arrecadação do estado cresceu, a LDO aprovada fala em fala em R$ 46 milhões, mas nosso modelo hoje é de um estado mínimo. A imprensa sataniza e criminaliza o servidor, fala em falência do estado. Mas Minas é o segundo maior PIB nacional, enquanto o salário do servidor é um dos piores. Gastar dinheiro com o servidor, para eles, é errado. Vejam a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Ipsemg, dilapidaram o maior instituto de previdência pública do país. Acho que inverter as taxas de imposto e cargas tributárias também é preciso. Hoje, quem paga mais ganha menos”.
Marluce Rodrigues (PRTB) – candidata a vice-governadora de Edilson Nascimento
“Eu convivo com o servidor na Assembléia Legislativa, sei que precisa de estrutura na carreira. A educação, assim com a saúde, são hoje muito caras. Portanto, vamos priorizá-las. Os postos de saúde não podem continuar com médicos e enfermeiros de rodízio, e os educadores, a conviver com giz e falta de estrutura nas escolas. Falta salário para os profissionais. Os impostos também estão abusivos, o trabalhador brasileiro paga só em tributos cinco meses do seu ano trabalhado”.
Luis Carlos (PSOL)
“Defendo um piso salarial para todas as regiões do estado e prego uma mudança no modelo de gestão, uma nova concepção de sociedade para Minas Gerais. O Governo serve pra quê? Pra prestar serviço público. o estado não foi feito para fazer caixa ou dar lucro. Mas, infelizmente, o choque de gestão do Aécio, contratado para ser implantado por empresa particular, é hoje copiado por outros estados, transferindo para a iniciativa privada a responsabilidade do estado. Na iniciativa privada, você visa o lucro, antes da qualidade. Isso é contrário aos propósitos do serviço público. Até o SUS está sendo privatizado”.
Vanessa Portugal (PSTU)
“A economia mundial está em crescimento, o lucro líquido das multinacionais em Minas atingiu 400% nos últimos anos. Só a Vale, que era nossa, teve R$ 6 bilhões de lucros líquidos em um trimestre. O oitavo país mais rico do mundo tem a oitava população mais pobre. O salário médio no estado hoje é a metade do que valia há 20 anos, conforme dados do IBGE. Como incentivo ao servidor público, eu ampliaria escolas e hospitais, com mais salário. O estado tem recurso pra isso, mas, em vez de fazê-lo, gasta R 36 milhões na campanha do Anastasia. De onde vem o dinheiro? Das mineradoras, empreiteiras, planos de saúde, empresas de terceirização no estado. Aí começa a corrupção no governo. O governo das empresas não deixa alternativas ao servidor”.
José Fernando (PV)
“Aqui, no Brasil, privatiza-se o lucro e socializa-se o prejuízo. Temos 30% de ICMS na luz, 25% em combustível, 18% em remédios, mas as mineradoras, estas ficam isentas de imposto na exportação. É possível aumentar a arrecadação em Minas e reaplicar recursos na política de valorização, capacitação e remuneração digna. Temos o pior salário do Sudeste para professores e o pior do país para delegados. Não há estado sem servidor”.






